Bem vindo WEB CHECKIN GOL – indicava a tela de meu computador. Marquei o vôo com destino a Maceió. O aeroporto mais próximo de nosso ponto de embarque: Barra de São Miguel.

Em Guarulhos, com as malas despachadas, encontrei com Soldon, Guilherme, Thais e Rita. A turma para a Expedição Nordeste começava a se reunir.

Marcus Leite também partiu de São Paulo, mas em horário diferente do nosso.
Enquanto isso…. , em Brasília, Renata e Fernando se despediam de Dilma e embarcavam da capital brasileira.

Guilherme (Homem Aranha) e Soraya (Dra. Elegância) saíam de Ribeirão Preto, Renata Braga da Cidade Maravilhosa.

Partimos no dia seguinte, logo pela manhã – 10 hs – em direção ao Naufrágio Itapagé. Um cargueiro que em sua última viagem seguia do Rio de Janeiro a Recife quando às 13:50 h do dia 26/9/1943 foi atingido por dois torpedos lançados pelo submarino alemão U-161. Dos 70 tripulantes, 18 tiveram sua morte decretada no ataque e dos 36 passageiros, 4 nunca foram encontrados.

O naufrágio repousa a 27 metros, esta semi-inteiro e tem 127 metros de comprimento aproximadamente. Sua beleza é exuberante, sua história ainda mais. Permite diversas penetrações. A da cozinha possibilita ver uma infinidade de louças da época. São pratos, xícaras, tigelas, etc. Há garrafas de cerveja espalhadas por todo casco soçobrado, uma vez que parte da carga era comporta de 2 caminhões da bebida.

Fizemos duas imersões no naufrágio. Maravilhosas.

Voltamos ao fim da tarde para dormir na Barra de São Miguel. Logo aos primeiros raios de sol saíamos para os mergulhos nos naufrágios Dragão (33 metros), Draguinha (35 metros) e Sequipe (33 metros).

Fomos recepcionados por um cardume de peixe galo gigantesco. Deitado na areia, dentro da embarcação, um enorme tubarão lixa. Ao redor, xiras, enxadas e barracudas.

Já me preparava para partir quando uma tartaruga de 1 metro se aproximou, se aproximou, se aproximou mais ainda. Parei e evitei respirar para não assustá-la com as bolhas. Ela veio e encostou seu nariz em minha máscara. Ficamos, literalmente frente a frente. Fiz carinha em sua cabeça, ela não se incomodou. Fiz carinho em seu pescoço, idem.

Acaricie sua cabeça e pescoço ao mesmo tempo. Ela esticou o pescoço em um movimento de quero mais. Ficamos alguns minutos se curtindo até a descompressão me chamar.

Que momento mágico.

Após os mergulhos iniciamos nossa rota com destino a Serrambi. O alvo eram os naufrágios Marte e Gonçalo Coelho. O primeiro repousa em posição de navegação, inteiro e repleto de vida.

No Gonçalo Coelho mais dois mergulhos inacreditáveis, ambos com penetração. Passeamos pelos corredores e compartimentos por mais de 45 minutos. Arraias, Lambarus, Xiras, Enxadas entre outros foram nossos companheiros inseparáveis.

Seguimos nossa viagem cortando os mares e subindo o litoral do Brasil. Chegamos em Recife já noite e aportamos na base. Somos abençoados pelo delicioso e rotineiro aroma vindo da cozinha, onde o Chef Erotides tira verdadeiros milagres culinários. Cada dia um prato diferente, nunca houve uma repetição sequer.

Logo pela manhã… , de qual dia mesmo? Já perdia as contas do tempo. Bom sinal. Isso demonstra que a viagem vinha sendo encantadora ao ponto de pararmos de contar o tempo em horas. Mediamos ele, agora, em quantidade de mergulhos.

Fizemos os mergulhos no Vapor Flórida (Reboque) ao longo da manhã. Uma imersão fantástica, porém ofuscada pelo que veria a seguir.

No Servemar X nos encontramos com, nada mais nada menos, do que 6 tubarões lixa. Pelo pequeno porte o naufrágio proporcionava dezenas de encontros com estes nossos amigos a todo o momento. Não houve um só mergulhador que não saiu da água extasiado de felicidade.

Aguardávamos, em meio às brincadeiras, o escurecer para um mergulho noturno no Taurus. Como o sol se põe muito cedo no Nordeste, pouco mais de 18 horas já estávamos imergindo para um mergulho delicioso sob uma lua esplendorosa. Mágico!!!

Hora de desfrutar de um mergulho Técnico na Corveta Camãqua. O planejamento alvo, usando Trimix 20/30 e EAN 50 e O2 na descompressão. Fomos eu e Felipe apenas. A corveta inteira somente para nós dois. Fantástico.

Dia seguinte, acordei cedo para preparar os equipamentos, pois iríamos repetir aquele que Felipe descreveu como “O MELHOR MERGULOHO DA MINHA VIDA”. Desta vez iríamos ter a grata presença de Soldon conosco. Embarcamos as duplas com Trimix e os stages com EAN 50 e Oxigênio. Arrumei meus equipamentos, fiz a análise das misturas…, tudo pronto. Fui às cabines e acordei a todos. A idéia era partir cedo.

O ápice de nossa Expedição – a Corveta – foi lançada ao mar em 1939 como navio mineiro da classe Carioca e foi incorporada a marinha brasileira em 1940 para guarnecer a segurança de nossos cargueiros durante segunda grande guerra. Em 21/07/1944 um sequência de três ondas atingiu a nau de través levando-a a pique após 20 minutos.

Repousando, deitada de boreste, a 55 metros de profundidade a Camaquã é, para mim, o naufrágio mais empolgante da costa brasileira. Sua história, o naufrágio em si e a exuberante vida marinha tornam o conjunto da obra um delírio de qualquer naufrageiro e mergulhador.

Largadas na areia encontram-se dezenas de cargas de profundidade anti-submarinos, em sua popa dois lançadores em “Y” , quase a meia nau um canhão e na proa um gigantesco guincho.

Descemos pelo cabo que estava amarrado junto ao canhão de proa. Desci primeiro. O Trimix permitia que a descida fosse muita rápida. Olhei para cima…, azul infinito da água possibilitava eu ver Felipe e Soldon que seguiam em fila e a boiá de superfície. Estava a 46 metros e mesmo assim enxergava a superfície. A emoção de um mergulho assim é ímpar e inigualável.

No mesmo instante imaginei como a maioria dos mergulhadores desconhecem o que temos a oferecer em nosso próprio território. Vivem exaltando o que viram no Caribe, no Mar Vermelho, e nem sequer ouviram falar da Corveta.

Consultei o gás de cada um dos meninos. Tudo ok. Um enorme cardume de caranhas nos rodopiava por todos os cantos. Na proa um outro cardume gigantesco de xaréus, outros de peixes-galos, xiras e enxadas compunham um cenário restrito a poucas centenas de pessoas no planeta Terra. Seguimos, então, diretamente para as cargas de profundidade. Lá encontramos minha velha amiga – uma tartaruga cabeçuda de aproximadamente 1,5 m. O número de cracas em seu casco denuncia a idade. Tranqüila, com cara de bebê, foi se aproximando calmamente, nadando em nossa direção e super curiosa por encontrar aqueles seres estranhos soltando bolhas.

Depois visitamos os dois hélices, subimos aos 50 metros e passamos a nadar sobre os lançadores de carga de profundidade. Depois uma pequena penetração pela passadiço de bombordo.

Nós mantemos a profundidade e seguimos para ver o canhão. Na proa um outro cardume de xaréus passa por nós. Subimos até o casco de boreste. Seguiam-se 26 minutos o início da nossa subida. Abro os braços e agradeço à Luz por poder vivenciar estes momentos mágicos, por meus duplas terem êxito naquilo que se propuseram a fazer e pelo mergulho simplesmente fantástico que estávamos realizando.

Iniciamos a subida que duraria ainda 54 minutos. Quase uma hora, porém que desaparece na quantidade de tarefas a serem realizadas e de vida marinha que nos cerca.
Essa emoção somente a Corveta pode proporcionar.

Último dia de mergulho. Fomos aos naufrágios Saveiros e Mercurius.
Thais estava emocionalmente encantada. Veio me agradecer a oportunidade de estar conosco. Uma graça de pessoa com um coração de ouro.

E assim foi nossa despedida de mais uma Expedição Nordeste. Sem dúvida os melhores mergulhos do Brasil.

Pegamos o caminho de casa. Um caminho azul. Um caminho certo, pois viver não é preciso. Navegar é preciso.

No final deste ano estaremos de volta com um reveillon a bordo do Voyager e muitos mergulhos em uma nova Expedição Nordeste.

Obrigado a todos:

Fernando
Thais
Renata
Renata Braga
Guilherme
Soraya
Soldon
Felipe
Marcus Leite
Rita

Pela companhia, pelas brincadeiras, pelo carinho.

Um enorme abraço e fiquem na Luz.

Joe

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