(011) 3889.7721 / (011) 3796.8666 – Celular: (011) 94725.1127 Nextel: 55*84*104742 amigosdojoe@amigosdojoe.com.br
Pescar tubarões para deter ataques é um despropósito

NOTA DE MANIFESTO
Pescar Tubarões para deter ataques é um despropósito

Por Marcelo Szpilman*

Como diretor do Instituto Ecológico Aqualung e do Projeto Tubarões no Brasil sempre me posicionei chamando o bom-senso e deixando as paixões de lado para analisar e debater questões controversas como essa, com argumentos contrários ou favoráveis.

Por princípio, ainda que concorde com a pesca seletiva de tubarões para fins científicos, sou contra a pesca de tubarões com o objetivo explícito de diminuir ou deter ataques de tubarão. Associar a pesca preventiva do tubarão para evitar ataques, mostrando o corpo da “fera assassina”, vai contra todas as campanhas de educação e conscientização ambiental que têm sido feitas, inclusive pelo próprio CEMIT (Comitê Estadual de Monitoramento dos Incidentes com Tubarões). Mas essa, infelizmente, tem sido a mensagem passada pela mídia para a população em geral. E está errado. É um despropósito pescar tubarões para deter ou diminuir ataques.

Se já está mais do que comprovado que o problema dos ataques em Recife foi provocado pela interferência humana no ecossistema da região, porque o tubarão deverá assumir a culpa. É apenas mais um animal reagindo à interação com o homem, que invadiu e transformou de seu ambiente natural. Reflita! Se você invade a toca de um animal e ele te morde, a culpa é dele? Ele deve ser eliminado por isso? Lembre-se que, no caso dos tubarões em Recife, ao contrário do que possa parecer, os poucos ataques são, em sua maioria, acidentes provocados pelo erro de identificação ou pela aparente invasão de território.

A pesca do tubarão-martelo com mais de 3 metros em Jaboatão dos Guararapes (Recife) no último sábado, dia 18/11, pela embarcação Sinuelo, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), foi, no mínimo, um enorme excesso de cautela. Na ocasião, um professor da universidade alegou que por ser um animal de grande porte poderia ocasionar um acidente (ataque) caso ele se deparasse com um banhista. Como bem sabem aqueles que já mergulharam com esses animais, especialmente a espécie capturada (S. mokarran), os tubarões-martelo são animais tímidos e evitam ao máximo a aproximação dos seres humanos. No Brasil, não há nenhum registro de ataque não-provocado por tubarão-martelo. No mundo todo, só há 20 registros nos últimos 500 anos. Ou seja, o tubarão-martelo não representava ameaça aos banhistas de Recife e não precisava ser capturado e morto. O termo “despropósito” cabe aqui como uma luva, pois recentes estudos já demonstraram que as populações de tubarões-martelo declinaram em até 90% e suas espécies estão seriamente ameaçadas de extinção. Desta forma, não é difícil perceber a importância de se preservar um valioso exemplar adulto, pronto a se reproduzir.

Cabe esclarecer uma coincidência no uso do nome protuba, que tem sido fonte de alguma confusão. O projeto Pró-Tuba, da UFRPE, que utiliza a embarcação Sinuelo com o objetivo de capturar os tubarões agressivos que possam oferecer risco na área de Recife para assim evitar os ataques, nada tem a ver com o Projeto Tubarões no Brasil (PROTUBA), criado e gerenciado pelo Instituto Ecológico Aqualung com o objetivo de preservar as espécies de tubarões ocorrentes no litoral brasileiro. Nunca, em momento algum, o Projeto Tubarões no Brasil estará envolvido na pesca de tubarões para deter ataques.

Um ativo grupo de mergulhadores de todo o Brasil, tendo à frente o Instituto Laje Viva de São Paulo, criou um abaixo-assinado online pelo FIM DA CAÇA AOS TUBARÕES patrocinada pela UFRPE. Se você desejar expressar sua opinião através dessa lista, que pretende pressionar a UFRPE pelo fim da pesca dos tubarões com o objetivo de deter os ataques, acesse o link (http://www.petitiononline.com/tubaroes/petition.html) e assine o manifesto, que tem todo o apoio do Projeto Tubarões no Brasil.

×
Olá, posso te ajudar?