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Respirar corretamente

Respirar corretamente durante o mergulho é uma das habilidades mais importantes da atividade. No entanto, poucos mergulhadores recreacionais praticam a correta respiração em sua imersões. Erro, cuja responsabilidade maior é dos Centros de Mergulho que não se preocupam em ensinar corretamente seus alunos ao longo de sua educação continuada. É lógico que não espero que um mergulhador do nível básico tenha um controle perfeito de sua respiração, mas essa técnica a partir do curso avançado deve ser cobrada dos alunos para que se desenvolvam e tornem-se ótimos mergulhdores.

Com uma correta respiração o mergulhador elimina a tensão e o stress físisco , relaxa, e, portanto, tem muito mais tranqüilidade para contornar as situações adversas, diminui a necessidade do uso de lastros e reduz seu consumo de gás.

O PROCESSO DA RESPIRAÇÃO

O ar penetra em nosso corpo pela boca e o nariz, passando pela glote, segue, via traquéia, direto para os pulmões. A traquéia é composta por anéis circulares cartilaginosos que se abrem para a passagem do ar. Neste percurso, o ar é filtrado, ajustado à temperatura ideal e umidificado. Depois passa pelos brônquios, que são as ramificações da via respiratória, em direção a cada pulmão. Essas ramificações se dividem ainda mais até que o ar passe por tubos extremamente finos (bronquíolos) e chegam a pequenas bolsas membranosas (alvéolos). Nos alvéolos é feita a troca gasosa entre o sangue e os componentes do ar. Para que o ar entre nos pulmões é necessário uma pressão interna menor do que a atmosférica. Isso se obtém pela ação do diafragma e dos músculos abdominais que modificam o formato pulmonar, criando esse gradiente de pressão. Ocorre então a inspiração. Quando esses músculos se relaxam, no processo inverso, temos a expiração.

A composição do ar atmosférico é de 78,62% de nitrogênio, 20,84% de oxigênio, 0,04% de dióxido de carbono e 0,5% de vapor d’água. Sob a pressão de 1 Atm, portanto ao nível do mar (0 m), o nitrogênio não é assimilado com relevância pelo organismo. Nossa respiração é regulada em intensidade e velocidade pelas variações das pressões parciais de dois gases (O2 e CO2) em nosso organismo (pressão parcial de oxigênio = ppO2; pressão parcial de dióxido de carbono = ppCO2). Sensores nervosos do nosso corpo levam indicam ao cérebro os níveis das duas pressões parciais. O oxigênio é transportado no sangue pela hemoglobina, sendo que apenas uma quantidade muito pequena deste gás se dissolve no plasma (parte líquida do sangue). Já o CO2 tem no plasma o seu meio de transporte.

O ideal que o corpo humano funcione com doses muito pequenas de CO2, uma vez que esse gás é um produto residual de nosso organismo. Quando a ppCO2 aumenta e a ppO2 diminui, a velocidade da respiração se acelera para compensar este desequilíbrio. Entretanto, a diminuição do nível de oxigênio, se bem que tenha participação no acionamento deste estímulo respiratório, não se compara a influência que o aumento da ppCO2 exerce na necessidade de respirar. Embora o mecanismo da respiração seja um processo complexo, sabe-se que o grande estímulo da continuidade respiratória não é o decréscimo da ppO2, e sim a elevação da pp CO2.

O AR ALVEOLAR

O ar inspirado possui uma composição percentual de gases diferente da que compõe o ar residual, uma vez que esse último está alterado pela influencia que o metabolismo respiratório exerce sobre ele.

A composição do ar residual (74,9% de nitrogênio, 13,6% de oxigênio, 5,35% de dióxido de carbono e 6,2% de vapor d’água), existente nos alvéolos, onde é feita a troca gasosa, é a mais importante para o nosso organismo. O ar alveolar perde continuamente oxigênio para o sangue e esse oxigênio é substituído pelo gás carbônico, que sai do sangue e vai para os alvéolos. Isso explica porque a pressão parcial do oxigênio nos alvéolos é menor que no ar atmosférico, como também, o fato de haver maior pressão de CO2 que no ar atmosférico, onde é quase inexistente.

A VENTILAÇÃO PULMONAR E A IMPORTÂNCIA DO CO2

Ao processo de respiração como um todo, conforme o que acima foi descrito, chamamos de ventilação. Ventilação, portanto, é o mecanismo de troca entre o ar que entra nos pulmões e o ar que dele sai.

A velocidade com que esse processo se repete é regulada pelos teores de mais ou menos oxigênio ou gás carbônico no sangue arterial. Entretanto, o aumento da pressão parcial de CO2 é o estimulo preponderante. Além da importante participação que o CO2 exerce na ventilação, outras manifestações no organismo também lhe são atribuídas, quando em excesso ou em carência. Ao acúmulo demasiado de CO2 no organismo, chamamos de hipercapnia. Neste caso a respiração torna-se curta e a sensação de fadiga é marcante. Pode haver sonolência, náuseas, espasmos musculares e até inconsciência. A falta de CO2, por sua vez, chama-se hipocapnia e pode apresentar tremores musculares, contrações, tonturas e inconsciência.

CO2 E OS “ESPAÇOS MORTOS” DO CORPO

Nem todo o ar que passa pelas vias aéreas participa da ventilação. O ar acumulado na área da boca, nariz, garganta e mesmo dentro dos brônquios (que ficaram cheios pela expiração anterior, isto é, o ar já usado) voltará primeiro aos pulmões. Obviamente este ar possui maior concentração de CO2. Estas áreas de acúmulo de ar são chamadas de espaços mortos.

COMO SE DEVE RESPIRAR DURANTE O MERGULHO

A maioria dos mergulhadores freqüentemente é acometida da sensação de desconforto, de mal estar e até de enjôos causados pelo acúmulo de C02. Esses mergulhadores não entendem porque necessitam usar tanto lastro ou porque seu consumo de ar é tão elevado. Na maioria das vezes, eles fazem respirações rasas (chamado “cachorrinho”), ou pausas prolongadas depois da inspiração. Esses procedimentos, ao contrário do que se pensa, não poupam ar, pois causam o aumento da concentração de C02, fazendo com que o sistema nervoso reaja aumentando o número de ventilações necessárias. Sendo assim, o mergulhador fica exposto aos sintomas de intoxicação por C02 (hipercapnia).

O mergulhador deve buscar desenvolver, desde o primeiro contato com o equipamento autônomo, a técnica correta de respiração. A maior ênfase, neste processo, deve ser na expiração, que faz com que a troca gasosa seja a maior possível. Isso diminui a concentração de CO2 e, conseqüentemente, as chances de intoxicação por CO2, hiperdistensão pulmonar e o consumo desnecessário de ar.

Com ênfase na expiração, o ar nunca fica preso durante as ventilações. A expiração deve ser lenta e profunda. Já a inspiração deve ser lenta e trabalhada pelos músculos abdominais, para que seja mais relaxada. Não existe a necessidade de se inflar completamente os pulmões, basta um pouco mais da metade da intensidade normal de ventilação para que a hemoglobina no sangue fique quase completamente saturada de oxigênio. A melhor respiração é aquela que fazemos usando nosso diafragma e não os músculos peitorais.

Existem alguns fatores que interferem na respiração durante o mergulho e que podem provocar fadiga e conseqüentemente um aumento na freqüência respiratória, aumentando, assim, o consumo de ar. Vejamos alguns deles:

  1. Não use suas mãos para nadar. Deixe seus braços e mãos flutuarem livremente ao seu lado, ou os dobre livremente em frente ao seu tórax. Quando você bater as pernas, faça-o lentamente e deliberadamente. Para alcançar este estado de relaxamento, você tem que alcançar a flutuabilidade neutra, uma das mais importantes habilidades para reduzirmos o consumo de ar.
  2. Use a quantidade de lastro suficiente para que você possa submergir. Quanto mais leve estiver, menor será o arrasto provocado pelo equipamento.
  3. Mantenha-se aquecido. A perda de calor corporal durante o mergulho força o organismo a aumentar o batimento cardíaco para obter um maior aquecimento corporal com o aumento da circulação sanguínea, provocando um elevado consumo de ar.
  4. Aumente sua aptidão física. Exercícios físicos são importantíssimos, pois com a capacidade física melhorada seu esforço será menor durante o mergulho.
  5. Mergulhe constantemente. Com a prática, o mergulho se tornará uma atividade natural e lhe dará mais segurança e tranqüilidade.
  6. Mantenha-se calmo. Um mergulho tranqüilo, além de gastar menos ar, será muito mais agradável.

Bons mergulhos e fiquem na Luz

Joe

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