Assim podemos definir nossa última visita à Estreito entre os dias 14 a 16 de agosto. Tive o prazer da companhia de um grande amigo – Alemão – que há 17 anos não mergulhávamos juntos. E o melhor ainda, ele retornou com toda a família: sua esposa Claudinha e seus filhos Bárbara e Victor.

Bárbara nós já conhecíamos. Vimos nascer e tivemos contato até seus dois aninhos. Tiramos uma foto com ela no colo repetindo a cena de quando tinha apenas alguns meses de vida. Victor só conhecemos com 12 anos de idade.

Ambos fizeram o curso de Open Water Diver na semana anterior e seguiram conosco para Estreito para realização das águas abertas.

Ainda contamos com a presença de nossos futuros instrutores: Adriano Pina, Bianca Roperto e Felipe Osmo, meu amigo Jose Rama (que está completando seu IDC STAFF) e Miltinho que conduziu esta galera.

Os turistas se dividiram em duas equipes.

A de circuito aberto com Rose, nosso presidente Enzo e Junior (que também fazia suas águas abertas de Nitrox). E os Rebreathers Divers com seu equipamento MK 6 e MK 7 da Poseidon. Eram eles: João Galantier, Thiago Meirelles e eu.

Chocolate e Amire conduziram as águas abertas de Básico.

Enzo e Victor já se tornaram os melhores amigos do mundo. Bárbara é um doce de menina, tímida, meiga e muito delicada. Coisa rara na juventude de hoje.

Ótimo motivo para todos ficarem “zoando” seu pai – o Alemão – durante toda a viagem. No sábado, a galera do IDC ficou em praia realizando suas tarefas e depois na pousada com as tarefas de aulas acadêmicas.

Toda a turma saiu embarcada na Chalana para realizarem 3 imersões. A primeira nos Canyons de Estreito, descendo o Rio Grande.

Os Rebreathers Divers foram comigo fazer exploração do Buraco do Inferno. Subimos o Rio em busca de um ponto que, acidentalmente, encontrei em Setembro/2014 e não tive a oportunidade de marcá-lo.

Subimos o Rio Grande por 1 hora , em nosso trajeto encontramos um Cágado descansando. Sem o ruído das bolhas podemos desfrutar de mais uma das vantagens do Rebreather. O animal deixou ser acariciado por vários minutos. Ficou lá só imaginando: Quem serão estes “peixes” esquisitos?

Continuamos nossa busca. Há um pouco mais de 1 Km de natação rio acima subi para ver nossa localização em relação à Chalana.

Desci e traçamos um trajeto de retorno caindo no Canyon em sua parte superior. Descemos até os 32 metros quando, para minha grata surpresa, encontramos os Mandis. Centenas deles nadando em todas as direções.

Havia alguns meses que não os encontrava. Eram figurinhas carimbadas em todos os mergulhos e haviam “desaparecido” como em passe de mágica em meus últimos mergulhos por lá. Gritava aos berros de alegria com meus companheiros João e Thiago: “Eles voltaram… C…. eles voltaram. É de cair o Cú da Bunda. Uhuu !!!”

Fizemos 110 minutos de fundo sem necessidade de descompressão nesta primeira imersão com nossos equipamentos.

Retornamos à embarcação. Juntamos-nos à galera do circuito aberto e, após um intervalo de superfície, submergimos para um drift dive. Descemos o Canyon em grupos. Eu, Thiago e Chocolate em um grupo e Junior e Amire em outro. Os demais preferiram ficar tomando sol. Após 35 minutos Chocolate, que estava de circuito aberto, nos deu adeus, pois entraria em deco. Seguimos eu e Thiago por mais 70 minutos de fundo desfrutando das vantagens do rebreather. Encontramos, duas vezes, cardumes de Mandis. Novamente centenas deles nos dois encontros. Quando decidimos terminar o mergulho já havíamos descido mais de 2 km do rio. Paramos em um platô a 6 metros de profundidade para nossa parada de segurança. A pedra parecia produzida pelo homem tão reta e lisa. Sobre ela 3 Bagres enormes e muitos Tucunarés nos fizeram companhia.

Subimos e fomos desfrutar do delicioso churrasco que já estava senso preparado pelo Sr. José Roberto.

Sábado a noite levei toda galera para o calçadão à beira da praia para degustar de um delicioso prato típico da região – TRAÍRA DESOSSADA.

Eu avisei que o prato servia bem 3 pessoas que comem muito. Alguns não acreditaram… sobrou (rsss).

Domingo de manhã, hora de café da manhã compartilhando bananas com os sagüis que moram na mata ao lado da pousada e depois partir para mais dois fantásticos mergulhos. Levei Rose, Alemão e João Galantier para um tour. Descemos até os 37 metros na entrada do salão J&M, subimos pela chaminé e saímos aos 8 metros, descemos pela chaminé vizinha e chegamos ao leito do rio, seguimos, então, para a caverna. Entramos dois a dois na fenda que tem 12 metros de extensão. Lá dentro nos deparamos com Mandis, Lambaris e uma enorme quantidade de camarões.

Seguimos à embarcação onde deixei todos e me juntei a Chocolate que havia terminado suas aulas de Open Water com as crianças. Fui me divertir com meu fiel escudeiro em uma imersão de mais 1 hora. No retorno, quando me dirigia à parada de segurança, encontrei com Alemão, Rose e as crianças aos 6 metros.

Juntei-me ao presidente Enzo e fui levá-lo ao Canyon JR. Aos 17 metros o local estava repleto de Mandis. O presidente está com uma flutuabilidade de dar inveja a muito marmanjo.

Uma delícia poder mergulhar com seu filhote. Ele ficou alucinado com a quantidade de peixes.

Ficamos mais 40 minutos nesta imersão, totalizando 181 minutos ininterruptas de mergulho com o Rebreather MK Seven. A galera do IDC também teve seu tempinho para uma imersão prazerosa no Canyon dos Mandis para relaxar dos trabalhos finais do curso. Retorno a superfície e mais um churrasco à moda Jose Roberto para matar a fome de toda galera.

Na volta de ônibus à São Paulo a turma, muito integrada, estava se matando com as piadas de João. Destaque em especial a homenagem a nosso amigo Jr.

Diz a lenda: “Um grupo de meninos jogava bola na rua, à frente da maçonaria quando a bola cai no quintal da oficina maçon.

– Quem vai buscar ? Pergunta um.

Ninguém se atrevia a levantar a mão. Até que Jr, com seus 12 anos e cheio de coragem, diz:

– Eu vou.

Pulou o muro e foi buscar a bola. Foi apanhado em flagrante.

– Ah… moleque !!! Agora nós vamos te enrabar.

Dito e feito.

Quando voltou com a bola debaixo do braço, todos, muito curiosos, perguntaram:

– E lá… como é ? O que fazem ?

Respondeu Jr com ar de maroto:

– Não posso dizer… agora sou MAÇON !

E assim terminou um fim de semana perfeito. Que venham muitos mais.

Um forte abraço e fiquem na Luz.